Ontem pela manhã, domingo antes das 7 hs, estava chegando para pouso em São Paulo-Guarulhos quando pudemos avistar vários balões no céu. Na aproximação final, no trecho próximo à Serra da Cantareira, sobre a zona norte da cidade, havia pelo menos 3. Já sobre a cidade de Guarulhos, vimos mais 2 balões"decolando" e além do aeroporto, na trajetória de decolagem, mais uns 3. No total eu contei 11 balões! Além do risco de incêndio nas matas e edificações, eles são um perigo para a aviação, pois podem chegar a 30 metros de altura, sendo que sua estrutura possui ferro, botijões de gás, muitas vezes eles carregam fogos de artifício, suspendendo bandeiras e faixas e outras surpresas. À noite, eles podem carregar lãmpadas e mais lãmpadas para ficarem bem iluminados. Aqui em São Paulo e principalmente no Rio de Janeiro, os balões são muito comuns de serem avistados nas manhãs de domingo quando o dia amanhece com tempo bom e vento calmo. No mês de julho, com as festas juninas, a incidência é maior, mas nem precisa ser em julho, se o domingo for uma data especial, tipo dia das mães, dos pais ou das crianças, o número deles aumenta, sendo que nestas ocasiões eles carrega
m faixas com mensagens. Se o Corinthians for campeão, nem se fala! Agora imagine um domingo no Rio de Janeiro, Flamengo campeão, dia das mães nos mês de julho...é melhor não voar, ou pelo menos esperar que os pilotos estejam de olhos bem abertos na cabine. Como eles costumam ser bem grandes, e os baloeiros só os soltam com tempo bom, não fica difícil para os pilotos avistarem com certa antecedência e desviarem, mas ainda assim são uma grande ameaça aos aviões, já que uma colisão, seja ela com o nariz, asa ou motores do avião podem ter consequências sérias. Há um tempo atrás, havia uma outra espécie de balões nos céus do eixo SP/RJ. Eram uma espécie de saco de lixo, em forma tubular e bem comprido, preto, de plástico bem fino e leve que ao serem enchidos com ar, e na medida que eles eram aquecidos com o próprio calor do dia, eles subiam e seguiam ao sabor dos ventos. Eram muitos, dezenas, centenas deles! Decolávamos de Congonhas para o Santos Dumont-RJ e durante todo o voo eles estavam por perto. Na volta idem, acho que eles eram soltos aqui em SP e seguiam para o RJ pelos ventos. No céu, eles se enrolavam neles mesmos, ficando na forma de um espiral, parecendo fragmentos de DNAs gigantes. Já que não possuem estrutura alguma, são apenas grandes sacos de ar, o perigo talvez não seja tão grande, mas nem pensar em atropelar um desses, pois sabe-se lá o que pode acontecer! Um pedaço do saco e- A primeira foto mostra os "balangandans" que um balão pode carregar.
A segunda é para ter uma noção do tamanho destes brinquedos, sendo que eles podem ser bem maior que um carro de passeio
A última eu tirei ontem no aeroporto de Guarulhos. Notem que há 2 balões que recém haviam sido soltos.









O ano de 81 estava chegando ao fim, e eu terminando o 2º colegial. No começo do ano viajei para os EUA em programa de intercâmbio, em julho fui para Recife com os amigos, e só pensava em sair com a turma, aguardando as férias de verão. Foi quando meu pai me disse: - Filho! Puxa, isso me lembra uma música... Meu pai me perguntou se não era o momento de procurar um aeroclube pra tirar o Brevet. Naquele momento a última coisa que eu queria era arrumar compromisso com horário e estudos, então eu desconversei. Mas ele insistiu no assunto, e eu agradeço por sua insistência e apoio, pois então eu fui ao Aeroclube de São Paulo, no Campo de Marte, e me matriculei no curso teórico para Piloto Privado, dando assim o primeiro passo. Três meses de curso, de segunda à sexta feira das 19 às 23 horas, para no final fazer a prova do DAC com as matérias de regulamentos, teoria de vôo, conhecimentos gerais de motores, navegação e meteorologia. Ao mesmo tempo poderia iniciar as aulas práticas em avião Piper 28 para duas pessoas. Previsão de 40 horas de vôo para então se aprovado em vôo de check, tirar o Brevet. No dia 17 de fevereiro, já de posse do exame médico feito no Hospital da Aeronáutica (um bom tema pra um próximo Post) fui para o aeroclube para meu primeiro vôo. Os instrutores eram também bastante jovens, e o escalado foi o Ottoni, que foi com quem fiz também o meu segundo vôo. Os vôos duravam em média 60 minutos, e a área de treinamento naquele dia foi a região de Franco da Rocha, próximo a Mairiporã. Fizemos umas manobras básicas, curva para um ledo, curva para o outro, enfim, uma familiarização com o vôo. Este instrutor foi mais tarde meu colega de Varig, quando fomos colegas no B 737 e MD-11, aliás, não só ele, mas vários outros colegas de Aeroclube. Após uma hora de vôo, pousamos de volta. Foi maravilhoso! Voltei eufórico para casa , e fui me encontrar com os amigos (Olavo, Cymbalista, Fábio Mantegari e Cali) em um barzinho, sendo que me lembro até hoje da camisa que estava usando. Foi um dia mágico. Assim o ano de 82 passou voando para mim. Cursando o terceiro colegial, seria natural que eu estivesse preocupado com o vestibular, mas meu foco era a aviação, assim em maio fui aprovado no exame teórico do DAC. 
