
O ano de 81 estava chegando ao fim, e eu terminando o 2º colegial. No começo do ano viajei para os EUA em programa de intercâmbio, em julho fui para Recife com os amigos, e só pensava em sair com a turma, aguardando as férias de verão. Foi quando meu pai me disse: - Filho! Puxa, isso me lembra uma música... Meu pai me perguntou se não era o momento de procurar um aeroclube pra tirar o Brevet. Naquele momento a última coisa que eu queria era arrumar compromisso com horário e estudos, então eu desconversei. Mas ele insistiu no assunto, e eu agradeço por sua insistência e apoio, pois então eu fui ao Aeroclube de São Paulo, no Campo de Marte, e me matriculei no curso teórico para Piloto Privado, dando assim o primeiro passo. Três meses de curso, de segunda à sexta feira das 19 às 23 horas, para no final fazer a prova do DAC com as matérias de regulamentos, teoria de vôo, conhecimentos gerais de motores, navegação e meteorologia. Ao mesmo tempo poderia iniciar as aulas práticas em avião Piper 28 para duas pessoas. Previsão de 40 horas de vôo para então se aprovado em vôo de check, tirar o Brevet. No dia 17 de fevereiro, já de posse do exame médico feito no Hospital da Aeronáutica (um bom tema pra um próximo Post) fui para o aeroclube para meu primeiro vôo. Os instrutores eram também bastante jovens, e o escalado foi o Ottoni, que foi com quem fiz também o meu segundo vôo. Os vôos duravam em média 60 minutos, e a área de treinamento naquele dia foi a região de Franco da Rocha, próximo a Mairiporã. Fizemos umas manobras básicas, curva para um ledo, curva para o outro, enfim, uma familiarização com o vôo. Este instrutor foi mais tarde meu colega de Varig, quando fomos colegas no B 737 e MD-11, aliás, não só ele, mas vários outros colegas de Aeroclube. Após uma hora de vôo, pousamos de volta. Foi maravilhoso! Voltei eufórico para casa , e fui me encontrar com os amigos (Olavo, Cymbalista, Fábio Mantegari e Cali) em um barzinho, sendo que me lembro até hoje da camisa que estava usando. Foi um dia mágico. Assim o ano de 82 passou voando para mim. Cursando o terceiro colegial, seria natural que eu estivesse preocupado com o vestibular, mas meu foco era a aviação, assim em maio fui aprovado no exame teórico do DAC.

Nos finais de semana quando ficava em São Paulo, ia para o Aeroclube fazer mais uma horinha de vôo. Meu pai bancou o custo das horas de vôo, mas também tive contribuições de minha mãe, e meus avós. Com cerca de 20 horas de vôo, fazíamos o primeiro vôo solo, quando o instrutor descia do avião (geralmente isso acontecia em Jundiaí, que era a principal área de treino) e então saíamos para um vôo de 15 minutos sozinho.Em dezembro de 82, com 17 anos tirei o Brevet de piloto privado, ao mesmo tempo em que passei e me matriculei no curso de Administração de Empresas na PUC em São Paulo. Tinha habilitação para pilotar um avião sobre a cidade de São Paulo, mas não podia dirigir até a esquina de casa. Mais um verão chegou e eu já estava pensando no próximo passo: Brevet de Piloto Comercial, para poder exercer a profissão.