A aviação antes dos ataques
de 11 de setembro era sem dúvida muito mais interessante, principalmente no que
diz respeito a visitas à cabine. Quando eu era copiloto de Electra na Ponte
Aérea, a cabine de comando frequentemente recebia visitas, seja dos próprios
colegas de empresa, seja de artistas e personalidades, que ou se convidavam ou
eram convidados para fazer a viagem conosco.
Já na época em que eu era copiloto de Airbus A-300, as visitas eram
menos frequente, mas mesmo assim, sempre havia passageiros querendo conhecer a
cabine de comando.
Foi em 98, de volta à Ponte
Aérea, desta vez no comando do Boeing 737-300 que novamente a cabine de comando
ficou movimentada; toda semana eu voltava para casa com uma estória a respeito
das visitas à cabine.
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Os gêmeos da Band |
Certa vez, tendo 45 minutos
de espera em Congonhas entre a chegada e a saída para o Rio de Janeiro, resolvi
dar uma volta pelo saguão do aeroporto e ver o movimento. Passando em frente à
loja de passagens da Varig, observei uma dupla conhecida da televisão fazendo o
check-in; eram os gêmeos, que apareciam num programa de televisão da Rede
Bandeirantes e que faziam sucesso entre os jovens, principalmente entre as meninas.
Como nesta época minha sobrinha de 12 anos estava morando com minha família e
ela era uma das que adoravam aqueles irmãos, eu abordei-os pedindo um
autógrafo. Eles foram simpáticos e me deram uma foto autografada. Antes de
voltar para o avião para fazer mais duas etapas (SP/RJ/SP) liguei para casa e
contei para minha sobrinha que tinha em mãos um autógrafo dos gêmeos. Ela que
ficou excitadíssima, me implorando pra “voar” para casa. Voltei para o avião pouco
antes de iniciar o embarque comentando o caso e mostrando a foto aos colegas
tripulantes. Alguma coisa parecia estranha na foto, mas deixei “para lá”.
Durante o embarque a
comissária chefe de equipe veio na cabine me dizer que os gêmeos tinham
embarcado e que, não sei como ou porque, ela havia comentado que o comandante
do voo (eu) tinha acabado de chegar do saguão do aeroporto com o autógrafo
deles. E mais; que eles queriam saber se poderiam fazer o voo na cabine de
comando! Ok, chamei um deles para fazer a viagem no
“jump-seat”, como é chamado o assento extra na cabine de comando.
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Jump seat do 737 |
Já na descida para o Rio de
Janeiro, aproveitando a noite bonita para fazer uma chegada em condições “visuais”
pelo litoral eu fiz uma pergunta relacionada às gravações nos estúdios da Band,
que ficam no bairro do Morumbi em São Paulo. Mas ele disse que não, que as
gravações não eram feitas lá, mas realizadas em outro estúdio, em outro local.
Achei estranho o programa não ser gravado nos conhecidos estúdios da Band no
Morumbi e insisti nesta questão. Ele, percebendo que eu estava confuso em relação ao local de gravação, entendeu o motivo e esclareceu a situação: - Não,
comandante, nós não somos os gêmeos da Band, nós somos os gêmeos do programa da
Claudete Troiano!
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Os gêmeos da Gazeta |
Que confusão a minha, bem
que tinha achado alguma coisa estranha naquela foto autografada. Eles não eram o
Flávio e o Gustavo, os gêmeos “marombados” da Band, e sim o Maurício e o
Roberto, os gêmeos que são cabelereiros e apresentavam um quadro no programa da
apresentadora Claudete Troiano na TV Gazeta! Apesar de não saber onde enfiar a
cara de vergonha tentei disfarçar meu embaraço dizendo que minha mulher adorava
as dicas deles, o que não era verdade.
Chegando em casa minha
sobrinha estava na porta me aguardando, ou melhor, aguardando a foto autografada.
Quando viu, ela quis me esganar e não parava de dizer: Tio, que mico!