terça-feira, 1 de dezembro de 2009

John Lennon, Bob Marley ou Michael Jackson?

No passado, o serviço de bordo oferecido pelas empresas aéreas variava de razoável a excelente. Talheres de prata na primeira classe ou inox para os demais, louças exclusivas de qualidade e copos de vidro eram a regra, mesmo em vôos domésticos e etapas curtas. Para os tripulantes do vôo, as refeições que embarcavam costumavam ser ainda melhores não só em termos de quantidade, mas variedade também. Na época em que voei os Electras, havia vôos em que o serviço de bordo era fornecido pela Vasp, e nestas ocasiões podíamos escolher a refeição a ser embarcada: Filé a parmegiana, strogonoff, lasanha e etc. É bem verdade que comer com a bandeja no colo, muitas vezes em pouco mais de 5 minutos não é a melhor maneira de se fazer uma refeição, mas é o que ocorre na maioria das vezes. Quando passei a voar o Airbus, o serviço de bordo melhorou muito, pois havia a classe executiva e primeira classe, portanto com uma maior variedade no cardápio. Mas o bom mesmo foi no período em que voei o MD-11! Especialmente nos vôos para Europa e EUA, que eram etapas muito longas, fazíamos da refeição um verdadeiro acontecimento. Ao embarcar no avião já havia um “tira-fome” para os tripulantes que geralmente era uma sopa e sanduíches. Depois em vôo, aguardávamos que o serviço aos passageiros fosse encerrado, pois sempre sobravam opções da primeira classe: saladas de bacalhau, filés, salmão e tudo como deve ser: Guardanapo de pano, comendo sem pressa para saborear a refeição. Ainda havia sobremesas deliciosas, queijos e cafezinho. Não fosse pela restrição a um vinho, seria perfeito. Além disso, no MD-11 podíamos fazer a refeição com a bandeja apoiada em uma mesa lateral na própria cabine de comando ou ainda na cabine da primeira classe. Mas isso é passado, agora voando nas rotas nacionais, e hoje mais do que nunca, as refeições são apenas para se alimentar. Salvo raras exceções como Porto Alegre e Buenos Aires, as comidas deixam a desejar. Bom, mas se o tripulante está mal servido de refeição, imagina os passageiros! Praticamente todas as empresas aéreas, pelo menos nos vôos nacionais, aderiram a um serviço para lá de espartano, isso quando elas não cobram pelo sanduíche, bebida e bolachinhas. Um amigo meu voltou de São José do Rio Preto, e disse que no vôo foi oferecido um serviço de bordo “aziático”. “Aziático”? Sim, só de olhar já dava azia! Já na outra empresa, os tripulantes logo arrumaram um apelido para as bolachinhas que são servidas. São bolachas salgadas em formato redondo, e como vem embaladas em pares elas ganharam o apelido de John Lennon, em alusão aos óculos do ex-Beatle. Algum tempo depois surgiu a versão da mesma bolacha no sabor “ervas finas” (pelo menos é o que diz o fabricante). Não demorou para serem apelidadas de Bob Marley... E recentemente surgiu o mesmo produto com sabor presunto. O apelido? Michael Jackson!

9 comentários:

  1. Olá Cmte. Roberto!
    Muito bom o artigo, faz a gente viajar no tempo...
    Tenho uma curiosidade: Na tua época de Bandeirante na Rio Sul era servido alguma coisa aos passageiros do Bandeco? Digo isso porque apesar de não haver comissários, muitas destas pequenas aeronaves possuiam galley... gostaria muito de saber o que era servido nestes vôos regionais (se é que era servido algo).
    Um grande abraço!

    Manoel Carvalho
    www.bandeirante40anos.blogspot.com

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  2. Olá Manoel, na minha época de Rio Sul era servido um lanchinho para os passageiros. Vinha em uma caixinha e eu mesmo ou o pessoal do despacho já entregavam ao passageiros no momento do embarque. Se não me falhe a memória, havia também uma espécie de geladeirinha na parte da frente próximo à cabine aonde havia garrafinhas d'água. Abç Roberto.

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  3. Mais uns anos e os passageiros vão precisar levar - de casa - suas quentinhas com frangos com farofa para não morrerem de fome durante os vôos. A companhia aérea só vai precisar fornecer microondas.

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  4. Muito bom! ahahahaha

    Comandante, só gostaria de deixar uma sugestão: separar o texto em parágrafos, torna a leitura mais agradável!

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  5. Ok, Lvcivs, vou tentar melhorar a diagramação, obrigado pela sugestão.

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  6. Hahaha, ri muito. Quando eu entrei na RG em 86, tinha um mecânico "a moda antiga" que o apelido era "homem das cavernas", que deve ter falecido, pois já era "antigão" quando eu entrei. Você lembra que na ponte as refeições vinham em uma bandeijinha de papel alumíno grosso? Então, depois que o voo desembarcava, esse cara ia "atacar a galley", pegava uma ou duas bandeijinhas, dobrava uma das pontas em forma de "V", colocava na boca e empurrava a comida com a mão, tudo de uma vez! Não interessava o conteúdo da bandeija, se frango, carne, lasanha...ele engolia TUDO de uma vez. Acho que o apelido combinava bem com ele...

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  7. Bob é o maior e acabou

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  8. Não sou da área de aviação, mas gostei muito seu blog. Adorei os apelidos das bolachinhas e o lanche "aziático"!

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  9. hahaha muito boa essa cmte, bem, em dezembro de 2009 fiz um voo para do GIG para Navegantes que tinha escala em guarulhos, vc acredita que serviram balas do GIG para SP ahahha, mas pra mim o melhor é manter os preços das passagens baixo.

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