segunda-feira, 25 de maio de 2009

Bicho solto

Foi em um dos meus primeiros vôos na função de Comandante. Eram 6 etapas de São Paulo para Belém com escalas em Uberaba, Goiânia, Brasília, Imperatriz do Maranhão, Marabá e finalmente Belém. Seis pousos é o máximo que a Regulamentação do Aeronauta (Lei que trata de limites e regras para o trabalho dos aeronautas, que inclui pilotos e comissários), permite para uma mesma tripulação. Na escala em Imperatriz, momentos antes da decolagem avistamos um jacaré sobre a pista! Quando o avião chegou perto, ele saiu correndo em direção a um banhado, nos liberando então para seguir viagem.
Certa vez em Porto Velho, no momento em que tocamos a pista para o pouso, com os faróis ligados, pois já era noite, avistamos à frente um par de olhos brilhando. Era um cachorro que certamente levou um susto grande! Não havia nada a fazer, desviar um avião com 45 toneladas, correndo a 190 Km/h estava fora de cogitação, era torcer para ele sair rápido do caminho. Não deu tempo, colidimos com o pneu no pobre coitado, que morreu na hora e ficou estirado sobre o asfalto, aguardando a equipe do aeroporto para limpar e liberar a pista. Em Iquitos, no Peru, havia um cachorro vira-lata que era uma espécie de mascote do aeroporto. Ao pousarmos, lá estava ele no pátio aguardando nosso vôo, e assim que o avião estacionava, ele se posicionava ao pé da escada aguardando um lanchinho, no que era prontamente atendido por um dos tripulantes. Há o episódio do caranguejo fujão, onde um passageiro, embarcando no Nordeste, transportava um caixa de isopor com vários deles, ainda vivos. Acomodou o isopor debaixo da poltrona e em determinado momento, um deles escapou! Foi um rebu! Pés para cima, histeria feminina, e o caranguejo assustado com suas garras ameaçadoras, em posição de defesa. Foi preciso destacar o “cabra-macho”, dono do dito cujo, para sair em missão de busca e apreensão. Bicho capturado e trancafiado, e a paz voltou a reinar no avião. Já comentei sobre o cachorro que estava solto no porão. Pois bem, tive também um caso de gato fujão. Voava na Ponte Aérea, e ao pousar em Congonhas, por volta das 7 da noite, o pessoal que descarrega as malas do avião avisou que um gato tinha escapado da casinha e sumido pelo pátio. Era um gato de fino trato, e a dona a bordo, estava ansiosa pelo seu bichinho. Em Congonhas, à noite, com todo aquele movimento e barulho, parecia que seria difícil achar o gato. Como dar a notícia a ela? Um animal de estimação é como um filho, talvez mais que isso! O supervisor da Ponte Aérea sugeriu que disséssemos a ela para procurar o bichano no LL (lost luggage, ou setor de malas extraviadas). Impossível dizer isso! Tipo: - procure seu filho querido junto às malas perdidas, tá? Água com açúcar para a mãe do gatinho, e vamos adiante, pois ainda tínhamos que decolar para o R.J. e voltar para S.P.. Durante o procedimento de taxi e decolagem, ficamos de olhos abertos, com todos os faróis ligados procurando pelo fujão. Final feliz para ele e sua dona, pois na volta a São Paulo, soubemos que o gato foi encontrado, encolhido e assustado junto a um carrinho de bagagens, não muito distante do ponto de fuga. Cobras também são muito comuns de serem vistas sobre as pistas, sobretudo na região norte do país. Pensando bem, enquanto as cobras estiverem do lado de fora do avião, e os bichos na pista não forem grandes como um elefante ou um rinoceronte, dá para ir tocando a aviação...

3 comentários:

  1. Esse negócio de animais na pista me deu um certo medo ! Será que é um fato que acontece no mundo todo ou é coisa que só acontece aqui nos aeroportos do Brasil ? E nos aeroportos da Africa ? Zebras e leões ?

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  2. Olha cmte, já passei por isso também fazendo toque e arremetida em Luziânia, após o toque na cabeceira 11 havia um cachorro deitado que ao se levantar, reagiu de forma contrária a qualquer cachorro comum, provavelmente daqueles cachorros pega-carteiro, levantou e saiu correndo atrás de mim, por sorte ele não foi pego pelo trem de pouso

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  3. em Monte Alegre - PA, a algum tempo atras, um cachorro estava no meio da pista na hora do pouso de um seneca. Foi atingido pela triquilha que quebrou e o avião pilonou.. aliás, esse fato ocasionou no fechamento do aeroporto pela ANAC. Até hoje está interditado... Ah! E meu aeromodelo já foi perseguido por bem-te-vis! hehehe

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