segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Varig, Varig, Varig!

No dia 22 de julho de 1986 foi feita a minha admissão na Varig. A minha turma, que era de 20 co-pilotos, foi praticamente toda para o Boeing 737, ou o 727. Dois colegas e eu fomos admitidos para voar os Electras na Ponte Aérea RJ/SP. Assim, tive que aguardar mais um tempo para pilotar aviões a jato pelo Brasil a fora. Em compensação, após um período morando em Porto Alegre, minha vida deu uma acalmada, pois voltei a morar com minha mãe e meus irmãos, ter bastante contato com meus velhos amigos, ir ao clube e o mais gostoso: ir para Congonhas para trabalhar de co-piloto em um dos aviões mais bacanas que eu conheci. Antes de começar a instrução no avião, havia as sessões de simulador de vôo. O simulador do Electra era um barato! Era enorme, do tamanho de um container, e deve ter sido muito moderno quando foi fabricado, mas certamente obsoleto se comparação com o simulador de um Boeing. Mas ele cumpriu bem sua função e segui para o treinamento em vôo. Houve um tempo em que havia muitas restrições para as operações de pousos e decolagens no Santos Dumont com os Electras, apenas os Comandantes podiam efetuar as operações. Porém, após anos de voos seguros na Ponte Aérea, este “mistério’ já não havia mais, e co-pilotos podiam pousar e decolar sem problemas. Meu instrutor era um cara muito bacana, e já nos primeiros vôos eu já estava pousando e decolando tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. Ele me ensinou as “manhas” do avião, as características da rota, das aproximações e como ele era extremamente sociável, me apresentou a muita gente. A cada escala, seja no RJ ou em SP, aproveitávamos o tempo de espera entre um vôo e o outro para dar uma passeada. Ele me levava no prédio da Varig onde funcionavam vários departamentos e ia me mostrando aonde era cada setor da empresa, me apresentando para as pessoas. Sabe aquele cara que não consegue dar 3 passos sem parar para conversar com um conhecido? Assim era ele, e eu fui conhecendo a empresa e seus funcionários. No final do dia, na medida em que os aviões iam parando para só recomeçar os vôos no dia seguinte, os pilotos se reuniam para um “happy hour”. Também conheci muitas comissárias, o que sem dúvida é um dos lados bons da aviação comercial, especialmente quando se é solteiro! Bons tempos, eu voltava para casa muito feliz e animado. Após o período de instrução, estava livre para voar com os diversos Comandantes. Alguns já voavam o Electra há anos, mas a maioria havia sido promovido há pouco tempo. Com muitos co-pilotos, mecânicos de vôo e comissários recém admitidos na empresa o clima era de muito entusiasmo. De fácil pilotagem e excelente capacidade de frenagem, não levei nenhum susto voando os Electras. Algumas vezes, mais por precaução do que por real necessidade, um dos motores era desligado em vôo. Sem problemas, voando com uma hélice parada e as outras 3 girando, ele ficava até mais belo, e seguia tranqüilo para o pouso. As chegadas no Rio de Janeiro eram sempre maravilhosas, o Electra parecia fazer parte da paisagem da cidade. Minha passagem pelo Electra foi relativamente rápida, pois no final de 87, já estava me despedindo para vôos mais longos. Foi o fim de uma era quando anos depois os Electras foram finalmente substituídos pelos Boeings, deixando muita saudade entre aqueles que o conheceram.

14 comentários:

  1. Olha eu aqui denovo, estou ficando bom em fazer os primeiros comentários de seus posts, rsrs.
    CMTE, na sua opinião, qual seria o melhor caminho para se poder chegar à aviação civil? Tenho 16 anos e uma vida inteira - de estudos - pela frente. O senhor poderia me dar alguma dica? Obrigado, Danilo.

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  2. Há 2 caminhos básicos, o caminho da aviação militar e o caminhio da aviação civil. Para o primeiro eu não sei bem quais são os passos.Se eu não me engano começa pela Epcar (escola preparativa para cadetes do ar) e depois tentar o ingresso na FAB e academia em Piraçununga.O caminho da aviação civil começa procurando um aeroclube para as aulas praticas e o curso da parte teórica. Piloto privado, piloto comercial, voo por instrumentos e multimotor são as licenças básicas. As horas de voo não são baratas, mas também não é muito mais que uma faculdade. Procure um aeroclube ou na sua cidade ou por perto. Bragança Paulista Jundiaí e várias outras cidades possuem infraestrutura para tirar Brevet, e o pre3ço da hora de voo é mais em conta qua aqui em São Paulo. Não desista de seus sonhos, vá em frente. Antigamente podia começar com 16 anos, mas acho que hj em dia é preciso mais que isso. ASbç Roberto..

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  3. Ah sim CMTE, muito obrigado pelas dicas, eu quero começar pela aviação militar, realmente, é pela EPCAr, esse ano eu NÃO passei por 0.25 pontos na média de corte, mas ainda não foi a vontade de Deus, vou esperar até o ano que vem, na qual farei denovo a prova e se Ele permitir passarei na EPCAr, depois seguindo para a AFA, e, após me aposentar como piloto militar, pretendo, através das especializações em aeronaves etc., ingressar na aviação civil. Segue a pergunta: um ex-militar da FAB com várias horas de voo de exp., se após aposentar por tempo de serviço, o que ocorre muito rapidamente, cerca de 8 anos de serviço, tem mais chances que uma pessoa que tire seu "brevet" em aeroclubes?


    Muito obrigado pela ajuda CMTE, vou lembrar disso para sempre! Rsrs.

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  4. Acredito que sim, a experiência de voo de um militar não é algo que as empresas aéreas desprezem. Fora os demais conhecimentos que se adquire na carreira militar.

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  5. Nossa, então acho que estou indo pelo caminho certo ! Rsrs.


    Muito Obrigado pelas dicas, sempre nos ares !


    Abraços CMTE!


    PS: Há alguma possibilidade de algum dia eu "pegar" um "Jump" do senhor, se, por coincidência, viajarmos ( no meu caso rsrs ) no mesmo voo? Rsrs.

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  6. Muito boa essa também, amigo blogueiro... os bons e antigos Electras... cheguei a cruzar voando com um de vocês a cerca de 1000 pés de separação... VARIG VARIG VARIG...

    João MADRUGA

    http://pensandoaviacao.blogspot.com

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  7. Caraca! Que foto show essa sua na escada do Electra ein comando?! Ele aparenta ser pequeno, mas quando a gente vê uma pessoa ao lado do bixo tem-se a idéia do tamanho dele. Lindo avião!
    Parabéns pela trajetória de carreira e pelo blog. Como sempre me levando a viajar nesses seus posts.
    Deus abençoe
    Thiago Czigler

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  8. Opa... primeiro... é um prazer imenso comentar pela primeira vez algum post em seu blog Comandante... estou me preparando para iniciar a instrução prática (PP) e iniciar a carreira... acho que em breve estarei realizando meu sonho de passarinho... hehe... nem que seja de teco-teco. Tenho meus bem vividos 31 anos de idade... então não sei se devo mais sonhar com as grandes empresas... mas creio que a aviação geral está aí para as pessoas que começaram tarde como eu... hehe... já tem um bom tempo que acompanho os posts e fico cada vez mais maravilhado com o que vejo... tem me servido de grande incentivo!!! Parabéns pela linda carreira!!! Um grande abraço!!!

    Renato Neves.

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  9. Olha Renato, meu cunhado piloto(aquele que voa ulrtraleve) tirou brevet de ultraleve em 2005 com 38 anos, brevet de piloto privado no ano passado, e este mês vai fazer a prova teórica de IFR. Antes de ontem ele disse que está pensando em tirar o PC. Disse que quem sabe não arruma um bom emprego na aviação executiva e une o útil ($) ao agradável? Nunca é tarde para realizar desejos, ou pelo menos, quase nunca. Abç Roberto

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  10. Sim... sim... é exatamanente como penso... ainda mais agora com as bolsas da ANAC vindo por aí... minha intenção é estar pronto para concorrer a uma das bolsas para PC já em 2010... vamos ver se dá tempo... quem sabe algun dia desses a gente não se encontra em alguma AIS da vida... e aí vou poder dizer... PUXA COMANDANTE..!!! QUE PRAZER IMENSO LHE CONHECER PESSOALMENTE...!!! hehehehe... Grande Abraço!

    Renato Neves.

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  11. Eu tenho 33 anos e penso se tem como eu tirar minha carteira de PP, e posteriormente a PC, mais como conseguir as horas de voo para se tornar um co-piloto e quanta horas precisa para entrar como co-piloto em uma cia como a gol

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  12. Saudades da "old" Varig.

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  13. Cmte Roberto Carvalho,
    Que emoção, que saudade... há se eu pudesse voltar o tempo. Que saudade... sou ex-varig,comecei em Salvador-Ba (1974) ano DC-10, 6 meses depois fui p/o Rio-Dir.Serv.de Bordo e minha maior diversao era ver o sobe e desce dos electras e ficava fascinada até com o barulho ensurdecedor. Curtia muito o cafezinho no S.Dumont e quando os eletras foram substituídos pelos boeing deixou saudade.
    Sinto muitas saudades da Varig e de todos os meus ex-colegas.
    Abraços.
    Foi um grande prazer, fica com Deus.

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  14. Parabéms pelo sonho realizado de voar,e ter o prazer de fazer deste sonho seu trabalho diário.Eu gostaria também um dia de fazer parte deste time pilotando um belo jato,mas no momento encaro o trânsico como taxista aqui no RJ,taxiando sem este prazer de voar.O trânsito do RJ daqui a mais alguns anos também tera como recurso o rodízio de placas como em SP,até lá espero também observar isto só que lá do alto há há um abraço.

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